{"id":570,"date":"2013-05-06T19:49:24","date_gmt":"2013-05-06T19:49:24","guid":{"rendered":"https:\/\/midiaseducativas.com.br\/site\/?p=570"},"modified":"2013-05-06T19:49:24","modified_gmt":"2013-05-06T19:49:24","slug":"educacao-3-0-e-a-tecnologia-que-integra-pessoas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/midiaseducativas.com.br\/noticias\/educacao-3-0-e-a-tecnologia-que-integra-pessoas\/","title":{"rendered":"&#8216;Educa\u00e7\u00e3o 3.0 \u00e9 a tecnologia que integra pessoas&#8217;"},"content":{"rendered":"<p>Defensor do &#8220;uso de toda e qualquer tecnologia em sala de aula&#8221;, o professor Edvaldo Couto, da Universidade Federal da Bahia, acredita no sucesso da Educa\u00e7\u00e3o 3.0, e que o mesmo s\u00f3 poder\u00e1 ser alcan\u00e7ado quando uma boa infraestrutura tecnol\u00f3gica e professores capacitados forem implantados nas escolas.<br \/>\nDeclara: \u201cA mera presen\u00e7a dos objetos t\u00e9cnicos em sala de aula n\u00e3o significa necessariamente inova\u00e7\u00e3o. Pode at\u00e9 ser um grande retrocesso. O computador sozinho n\u00e3o faz nada\u201d.<br \/>\nEm uma entrevista concedida ao site Porvir, Edvaldo, que tamb\u00e9m \u00e9 Doutor em Educa\u00e7\u00e3o pela Unicamp e palestrante das duas edi\u00e7\u00f5es do InovaEduca 3.0, nas cidades de S\u00e3o Paulo e Recife, falou de assuntos como o andamento do uso da tecnologia em sala de aula no Brasil e as perspectivas educacionais do futuro, entre outras quest\u00f5es que envolvem o tema. Acompanhe:<br \/>\nComo usar a tecnologia de forma inovadora?<\/p>\n<p>A mera presen\u00e7a dos objetos t\u00e9cnicos em sala de aula n\u00e3o significa necessariamente inova\u00e7\u00e3o. Pode at\u00e9 ser um grande retrocesso. O computador sozinho n\u00e3o faz nada. A Educa\u00e7\u00e3o 3.0 \u00e9 a tecnologia de pessoas, que integra pessoas. Para usar as tecnologias digitais de forma inovadora nas pr\u00e1ticas docentes, precisamos solucionar simultaneamente tr\u00eas problemas:<\/p>\n<p>1 \u2013 Melhorar a infraestrutura tecnol\u00f3gica. Existem escolas que receberam computadores e n\u00e3o t\u00eam luz el\u00e9trica ou acesso \u00e0 internet. Muitas escolas n\u00e3o t\u00eam \u00e1gua pot\u00e1vel, n\u00e3o t\u00eam biblioteca, n\u00e3o tem sequer professores. Para complicar, os computadores s\u00e3o em n\u00famero limitado, n\u00e3o tem para todos. \u00c9 preciso ampliar e criar novas pol\u00edticas p\u00fablicas capazes de construir uma boa infraestrutura tecnol\u00f3gica nas escolas.<\/p>\n<p>2 \u2013 Melhorar o acesso \u00e0 rede. A banda larga no Brasil \u00e9 uma piada. \u00c9 preciso investir e melhorar a banda larga, entender que conex\u00e3o \u00e9 uma necessidade b\u00e1sica da popula\u00e7\u00e3o. Os custos no Brasil, por um servi\u00e7o sempre ruim, s\u00e3o alt\u00edssimos. Precisamos reduzir drasticamente o custo e ampliar a velocidade da rede. A internet veloz precisa estar dispon\u00edvel nas escolas. N\u00e3o pode ser um projeto de algumas escolas particulares e muito caras. Deve ser presen\u00e7a em todas as escolas. Em cada escola p\u00fablica.<\/p>\n<p>3 \u2013 Formar adequadamente os professores para a cultura digital. Muitos professores n\u00e3o sabem o que nem como fazer uso das tecnologias digitais em suas pr\u00e1ticas docentes. N\u00e3o pode ser apenas um cursinho de poucos horas para ensinar a ligar e desligar aparelhos. Os professores devem ser letrados digitalmente, ter autonomia e liberdade, precisam ser sujeitos integrados na cultura digital.<\/p>\n<p>Esses tr\u00eas pontos na verdade ressaltam que, quando se fala em tecnologias digitais n\u00e3o mais falamos em m\u00e1quinas, mas em pessoas conectadas, fazendo coisas incr\u00edveis porque est\u00e3o juntas, trabalham em parceria, de modo coletivo. Se as pessoas n\u00e3o estiverem conectadas e n\u00e3o tiverem liberdade para discutir e criar, nada mudar\u00e1 na educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma de suas pesquisas \u00e9 voltada para a Narrativas de Professores nas Redes Sociais Digitais. Como elas podem auxiliar no processo de aprendizado?<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel que o mais extraordin\u00e1rio da nossa \u00e9poca seja o fato de qualquer pessoa conectada \u00e0 internet poder narrar a sua hist\u00f3ria, contar sobre o seu modo de ver os acontecimentos, opinar sobre um produto, discutir e difundir ideias. A Web 3.0 potencializou essa condi\u00e7\u00e3o e permitiu a cada um narrar e publicar suas experi\u00eancias. Ent\u00e3o, as narrativas, sobretudo as pessoais, se multiplicam a cada dia nessa esfera p\u00fablica que \u00e9 a rede. Muitos professores vivem conectados, s\u00e3o incr\u00edveis narradores de si, mas sobretudo de suas pr\u00e1ticas docentes. Essas narrativas de professores, especialmente nas redes sociais digitais, orientam, estimulam e se misturam a milhares de outras narrativas de alunos. Qualquer processo de ensino e aprendizagem se mostra mais rico e interessante em meio a essas trocas cont\u00ednuas.<\/p>\n<p>Como deve ser o processo de integra\u00e7\u00e3o desse professor na cultura das redes sociais?<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma boa quest\u00e3o, porque de fato vivemos uma estimulante e sedutora cultura das redes sociais digitais. Muitos s\u00e3o os professores integrados a algumas dessas redes, mas poucos usam as potencialidades desses ambientes nas suas pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas. Esse parece ser o nosso maior desafio: incentivar professores a inovarem pr\u00e1ticas docentes usando as redes sociais digitais. E aqui o importante n\u00e3o \u00e9 apenas distribuir tarefas, mas, principalmente, criar e manter espa\u00e7os continuos e ativos de discuss\u00f5es, produ\u00e7\u00f5es e difus\u00f5es de conhecimentos.<br \/>\nE como definir a Educa\u00e7\u00e3o 3.0?<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o 3.0 traz as tecnologias digitais para a sala de aula para estimular a produ\u00e7\u00e3o e a troca de conhecimentos. A \u00eanfase n\u00e3o deve estar nos objetos t\u00e9cnicos, seus ambientes e aplicativos, mas nas interea\u00e7\u00f5es, nas trocas, no fazer coletivo. Ent\u00e3o a sala de aula passa a ser qualquer ambiente onde as pessoas se conectam umas \u00e0s outras e criam, encontram solu\u00e7\u00f5es para seus problemas, enfrentam coletivamente seus dilemas. Onde h\u00e1 pessoas conectadas, tem ensino e aprendizagem mediados por tecnologias digitais. O professor n\u00e3o \u00e9 mais aquele que transmite um determinado saber pronto. Ser professor na cultura digital implica coordenar, orientar, incentivar a aprendizagem calaborativa e cada vez mais personalizada. N\u00e3o se trata mais de uma mesma tarefa para todos num determinado espa\u00e7o e tempo. O professor agora \u00e9 aquele que coordena as atividades em torno de algum problema ou de determinados problemas. Assim, muitos grupos, em diferentes espa\u00e7os e tempos, podem trabalhar em conjunto. Cada professor, cada aluno, pode abrir uma frente de investiga\u00e7\u00e3o e todos podem compartilhar d\u00favidas e descobertas. A troca cont\u00ednua de experi\u00eancias passa a ser um valor fundamental da Educa\u00e7\u00e3o 3.0. Ela depende menos dos objetos t\u00e9cnicos utilizados e mais das articula\u00e7\u00f5es que s\u00e3o feitas. Estar conectado passa a ser a condi\u00e7\u00e3o desse \u201cestar junto e produzir coletivamente\u201d.<\/p>\n<p>Como ela tem sido usada no Brasil?<\/p>\n<p>Essas experi\u00eancias est\u00e3o presentes em muitas escolas no Brasil. Mas ainda n\u00e3o \u00e9 o suficiente, porque em muitos ambientes escolares o modelo trasmissivo impera. Os usos frequentes das tecnologias digitais nos processos de ensino e aprendizagem v\u00e3o mudar radicalmente o modo como concebemos a educa\u00e7\u00e3o. Essas mudan\u00e7as j\u00e1 podem ser percebida onde encontramos professores e alunos engajados, motivados e prontos para enfrentar os desafios de hoje e do futuro. O importante aqui \u00e9 perceber que o aprendizado se d\u00e1 por meio de a\u00e7\u00f5es continuadas, que n\u00e3o se restringem \u00e0s oportunidades apresentadas pelo professor, dentro de uma sala de aula tradicional. As pessoas est\u00e3o cada vez mais conectadas e isso permite explorar muitas possibilidades, criar de muitas maneiras, cada um pode desenvolver o seu ritmo de aprendizagem, abrir-se para experi\u00eancias sempre renovadas.<\/p>\n<p>Como seria a educa\u00e7\u00e3o ideal para os pr\u00f3ximos 5 (talvez 10) anos?<\/p>\n<p>N\u00e3o me agrada muito pensar em certas vis\u00f5es t\u00e3o difundidas de alunos enfileirados na frente do computador. Com as tecnologias m\u00f3veis e cada vez menores, as pessoas est\u00e3o conectadas umas \u00e0s outras por meio de muitos aparelhos. A tend\u00eancia \u00e9 que esses aparelhos se tornem progressivamente quase impercept\u00edveis. Hoje j\u00e1 falamos numa internet corporal. Cada corpo se conectar\u00e1 a outros corpos. As m\u00e1quinas, como intermedi\u00e1rias da conex\u00e3o, poder\u00e3o desaparecer. Restar\u00e3o as pessoas conectadas e inventivas. Essa seria a realiza\u00e7\u00e3o mais plena do ciborgue. As escolas tradicionais funcionar\u00e3o ainda por muito tempo e provavelmente algumas gera\u00e7\u00f5es ainda lutar\u00e3o por inova\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas sempre aprisionadas por burocracias na gest\u00e3o escolar. Os avan\u00e7os ser\u00e3o t\u00edmidos, mas j\u00e1 importantes, como alguns j\u00e1 citados. Viveremos ainda um bom tempo entre paredes e redes. Mas tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel desejar e imaginar que brevemente as paredes poder\u00e3o ser derrubadas e que a escola ser\u00e1 n\u00e3o um lugar, mas a extraordin\u00e1ria rede de conex\u00f5es das pessoas cada vez mais empenhadas em processos de ensino e aprendizagem colaborativos. A\u00ed a sociedade do conhecimento ser\u00e1 de fato constru\u00edda e vivenciada democraticamente.<\/p>\n<p>Fonte: Porvir<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Defensor do &#8220;uso de toda e qualquer tecnologia em sala de aula&#8221;, o professor Edvaldo Couto, da Universidade Federal da Bahia, acredita no sucesso da Educa\u00e7\u00e3o 3.0, e que o mesmo s\u00f3 poder\u00e1 ser alcan\u00e7ado quando uma boa infraestrutura tecnol\u00f3gica e professores capacitados forem implantados nas escolas. 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